Introdução
O
tema deste trabalho vem do livro “100 Portuguesas com História”, de Anabela
Natário. O livro contém biografias de mulheres importantes nos séculos XVIII,
XIX e XX. No início desta unidade curricular, fiquei de analisar três
biografias.
E
posto isso, escolhi uma das biografadas para construir um produto audiovisual.
As biografadas que fiquei de analisar, foi Maria Bárbara do século XVIII,
Guiomar Torresão do século XIX e Catarina Eufémia do século XX.
Depois de analisar as três biografias, foi necessário
escolher uma das biografadas. Eu optei por Guiomar
Torresão pela história de vida que levou e pelo marco importante que deixou
em Portugal, ao lutar pelos direitos das mulheres, o que me deixou muito
interessada em saber mais sobre a mesma.
Em
relação às outras duas biografias, não optei pela biografada Maria Bárbara, por
ser do século XVIII e já existir algumas biografadas desse século e não optei
pela Catarina Eufémia por existir muitas dúvidas à volta da sua história e
existir muita informação para filtrar.
Maria
Bárbara
|
Madalena Bárbara Xavier Leonor Teresa
António Josefa nasceu em Lisboa, a 4 de Dezembro de 1711 e faleceu em Aranjuez,
a 27 de Agosto de 1759. No dia 19 de Janeiro de 1729 entregou-se ao reino
vizinho a infanta
Maria Bárbara, em troca da princesa espanhola Mariana
Vitória.
Maria Bárbara tornou-se esposa do rei Fernando VI e Rainha Consorte de Espanha
e influenciou o destino dos países. Filha do rei João V de Portugal e a esposa
do mesmo era arquiduquesa Maria Ana da Áustria. Maria Bárbara era conhecida
como a “gorda” e apresentava deficiências físicas que eram visíveis. Fez a sua última
viagem em solo português e estreou, antes de se instalar em Elvas, o Palácio de
Vendas novas. Barbará era culta, alegre, interessada por dança e artes, até
tocava e compunha música. Por iniciativa própria, aceitou a proposta de
Portugal para o fim das disputas nas Américas. No seu testamento fala no marido
com crescente amor.
Contextualização Histórica
Como já conseguimos perceber Maria Bárbara nasceu no
século XVIII e na época contraiu, simultaneamente com o irmão José, Príncipe do
Brasil, um matrimónio político. No caso foi combinado um matrimónio duplo com
filhos de Filipe V de Espanha, destinado a melhorar as relações entre as duas
coroas ibéricas após a Guerra da Sucessão Espanhola
Catarina
Efigénia Sabino Eufémia nasceu a 13 de Fevereiro de 1928 em Baleizão, Beja. Catarina
foi uma camponesa portuguesa que se tornou num símbolo da luta contra a
ditadura e na sequência de uma greve de empregados rurais foi assassinada a
tiro pelo tenente Carrajola da GNR, no dia 19 de Maio de 1954. Aos vinte e seis anos, já tinha três filhos,
um dos quais de oito meses. Ofereceu resistência ao regime Salazarista,
acabando por ser um ícone da resistência no Alentejo. Muitos dos autores
dedicaram-lhe poemas entre outras coisas. Projetada num universo que não
é seguramente o seu, com ela reforça-se o papel cultural e político hegemónico
que o PCP quis controlar e perpetuar na história da resistência ao regime. O
nome de Catarina está gravado na longa história do nosso partido, é do nosso
Partido, ela é uma vítima da resistência antifascista e um símbolo da coragem
na luta sem tréguas contra a ditadura, pelo pão, pelo trabalho, pela liberdade
e pela democracia em Portugal.
Contextualização
História
Catarina Eufémia pertenceu ao século XX, na época
lutava-se pela liberdade e pela democracia em Portugal. Existia tendência para
a revolta, onde a população de Beja já tinham sofrido na pele os abusos da
velha Guarda Municipal do tempo do rei Pedro IV, rebaptizada por GNR um ano
mais tarde.
Guiomar
Torresão – Produto Audiovisual
|
Entrevista de rádio
CATARINA
Bem começamos com este instrumental fantástico.
Agora vamos passar para um momento de entrevista sobre uma escritora muito
importante no século XIX, aqui na rádio PACF.
Para este momento, teremos connosco Filipe Madeira que nos irá falar sobre a
escritora.
CATARINA
Bom dia Filipe.
FILIPE
Bom dia Catarina.
CATARINA
Bem, o que nos tens para contar sobre Guiomar Torresão?
FILIPE
Guiomar
Delfina de Noronha Torresão, nasceu no dia 26 de Novembro de 1844 e faleceu a
22 de Outubro de 1898.
Foi uma
escritora portuguesa, apesar de nunca ter frequentado a escola ou ter tido
instrução primária, também contribuiu em diversas publicações e defendeu os direitos
das mulheres, não achas isto impressionante? Afinal foi uma figura que lutou
pelos vossos direitos.
CATARINA
É bastante impressionante sem duvida Filipe, que grande mulher!
Mas que mais nos podes contar sobre ela?
FILIPE
Bem, ela
foi jornalista e tradutora, os seus trabalhos incluem, além da escrita de
romances, escreveu também sob os pseudónimos Delfim de Noronha, Gabriel
Cláudio, Roseball, entre outros. Em 1869 publicou Uma Alma de Mulher, primeiro romance, reimpresso numa revista.
A sua experiência de vida fez com que se preocupasse, primeiramente com a educação da
mulher e com a defesa do direito ao trabalho, apesar de também se preocupar com
a dependência económica.
A escritora dizia a quem a criticava por não
desistir da emancipação feminina, que de nada servia poder eleger os políticos se
se tivesse fome.
Em 1870,
a editora e feminista Presciliana Duarte de Almeida lança a revista literária A Mensageira, onde Guiomar escreveu que «o feminismo é a causa mais
intuitivamente lógica e mais importante para o aperfeiçoamento e
engrandecimento da humanidade, que o século XIX leva à solução do século XX»
Em 1868,
nas páginas do jornal A Voz Feminina, fundado
por Emília Maia, Guiomar não se cansou de defender a igualdade dos sexos.
E
continuou como colaboradora mesmo quando a sua direcção passou a ser assumida
pela feminista Francisca de Assis Martins Wood e o cabeçalho do jornal passou a
ostentar a frase «A mulher livre ao lado do homem livre». Essa foi umas das
muitas publicações periódicas as quais deu o seu contributo.
Destaca-se
também a colaboração como escritora em O
Mundo Elegante (semanário editado em Paris). Em 1873, é publicado o segundo
livro Rosas Pálidas o qual a
escritora dedica ao pai.
Ainda na
adolescência procura forma de ganhar dinheiro e começa a dar aulas em casa,
ensinando francês, língua imprescindível nesses tempos de influência francófona
e dá instrução primária.
Posteriormente
lança-se na escrita de artigos para jornais, tentando fazer da intervenção
cultural um modo de vida, assinando com pseudónimos como Delfim de Noronha,
entre outros.
Foi uma
entre as poucas que se individualizaram na luta por um ideal. Lançou o primeiro
livro, aos vinte e três anos, uma comédia num acto, chamado de O Século XVIII e o Século XIX, levado
à cena no Teatro D. Maria II.
Em 1875
nos livros Meteoros existem textos
publicados e em 1881 No Teatro e na Sala,
cujo prefácio é da autoria de Camilo Castelo Branco (escritor consagrado).
Guiomar
Torresão foi a única mulher entre o grupo de fundadores da Associação dos
Jornalistas e Escritores Portugueses.
Contextualização
FILIPE
Na época
em que viveu os direitos das mulheres não existiam em Portugal. Os homens
cultos como, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão e Eça de
Queirós desprezam as mulheres intelectuais, principalmente aquelas que lutavam
pela independência do sexo feminino e pela educação.
Mas,
Guiomar Torresão respondeu – lhes à letra, principalmente no Almanaque das Senhoras, que fundou e
dirigiu durante quase três décadas.
Em 1853,
foi viver para Lisboa com a mãe Maria Pinto depois de a sua vida dar uma grande
reviravolta com a morte do pai José Torresão, nesse mesmo ano é proclamado Pedro
V, de dezasseis anos.
CATARINA
Realmente
existem factos impressionantes sobre Guiomar Torresão, que impressionante não
fazia ideia.
FILIPE
Sim é
verdade Catarina, até eu fiquei impressionado quando investiguei a história
desta figura importante num séc XIX.
CATARINA
Bem,
assim terminamos esta emissão.
Muito obrigada
filipe, foi muito importante conhecermos a história desta grande mulher e excelente escritor.
FILIPE
Não tens de agradecer, para mim é um
prazer falar sobre estes temas fantásticos.
CATARINA
Quanto aos nossos ouvintes, espero que tenham gostado desta
emissão. O resto de bom dia.